Tudo uma farsa. Mera ilusão. Devaneio.
Tiros no escuro, sem mira, sem alvo.
Tudo o que houve foi auto-destruição.
Tiros no pé, tiros no coração. O cristal se quebrou.
Morte súbita.
Não há ganhadores. Não há jogadores. Só desolação.
Nunca houve você.



Não consigo, não me adapto, não me conformo.
A rotina jamais me fará satisfeita porque eu tenho uma claustrofobia absurda de lugares e tempos. Estalo os dedos, batuco nos móveis, balanço freneticamente os pés. Preciso de ar. Falo o tempo todo porque o silêncio aumenta minha ansiedade, quero saber de tudo e conhecer todos os assuntos.Vou roer as unhas de esmalte vermelho e pintar meus dentes de nervoso, vou quebrar
as janelas para respirar novos ares.
Quero gritar mais alto que a música e destruir minha limitações.
Então me busca, me tira dessa vida pela metade, me mostra o mundo. Eu quero mais de cada coisa que a existência oferece.
Essa prisão, essa pele. Estou vazando pelos poros e tenho medo de explodir. E se algum buraquinho entupir e eu não achar a saída? Meu corpo é muito pequeno e minha ânsia de liberdade queima as beiradas. Minha alma vai escapando, vai se moldando. Se esconde, diminui pra não se mostrar além.